02 abril 2010

Sexta-feira Santa - Condenação de Cristo - julgamento do sistema Hoje o dia nos convida a olhar, com respeito, para o Cristo condenado na cruz. O fato permanece como a interpelação mais profunda da história humana: como foi possível uma pessoa que "passou fazendo o bem a todos", ser condenada na cruz? As lições permanecem inesgotáveis. No seu conjunto, atestam com evidência a diferença de critérios a presidir um projeto de vida e de sociedade. Um projeto que se guia pelos contra valores do ter, do poder e do prazer, não tolera um projeto que se guia pela doação, pelo serviço e pelo amor. E se sente na obrigação de eliminar os que o contestam com o testemunho da própria vida. Sua urgência de condenar é confissão da própria fraqueza, incapaz de encontrar justificativas humanas para se sustentar. Foi assim que o próprio Cristo entendeu o significado de sua iminente condenação: ela iria significar o julgamento dos que o estavam condenando. Cristo bateu de frente com o sistema de dominação religiosa, política e econômica, exercida sobre o povo pelos detentores do poder. Mas estes, para executar seus planos, acionaram a ambição financeira. Ofereceram dinheiro para Judas entregar o Mestre, para ser submetido a julgamento, e ser condenado a morrer.Com o Cristo crucificado se identificam milhões de inocentes, condenados a morrer pelo sistema que os exclui da vida. São vítimas da ambição do poder, da ânsia desordenada do "Ter", e do desejo desenfreado do prazer, dos que hoje ainda detêm em suas mãos o destino das pessoas.Mas o condenado na cruz nos convida a fazermos a opção certa, e assumir o seu projeto. 
Sábado Santo - Empréstimo provisório. Depois da sexta-feira intensa e movimentada, carregada de tensões e sofrimentos, veio o sábado do repouso. Como faz bem um dia de repouso, sem agenda, sem acontecimentos, sem agitação, sem notícias. Para ser vivido no silêncio, na paz, no sono, na espera. Um dia que parece vazio. Mas que na verdade se enche de mistério e de esperança. As atenções se voltavam para o túmulo, onde ainda estava o corpo do Cristo. Um túmulo emprestado. Um túmulo de família rica. Após a morte de Cristo, José de Arimateia e Nicodemos saíram do anonimato, e ofereceram seus préstimos às mulheres, para darem ao falecido uma sepultura digna. Compraram caros perfumes, conseguiram emprestado um túmulo, e nele depositaram o corpo do Senhor. Foi tarde demais a intervenção deles? Não podiam ao menos ter pago um advogado, para defender o acusado, num processo tão cheio de irregularidades jurídicas? Em todo o caso, agora agiam sem constrangimentos, respaldados pela dignidade da morte, que tem a força de se sobrepor às injustiças contra a vida. A morte dos pobres se constitui em força irresistível em favor de suas vidas. Como a morte de Cristo, plantada no túmulo, de onde brotaria com força nova e irresistível a vida ressuscitada. Nunca é tarde para colocar nossos recursos a serviço da vida. O túmulo emprestado lembra os empréstimos dos ricos para os pobres. Aquele foi um empréstimo provisório, de apenas três dias, e que compôs o contexto de onde a vida eclodiu, exuberante, para sempre. Um empréstimo provisório, que serviu para uma vida definitiva. Ao contrário de muitos empréstimos de hoje, que mais parecem túmulos definitivos, a sepultar para sempre as esperanças dos pobres. Esta sábado ensina aos nicodemos de hoje que o melhor fruto dos recursos financeiros não sãos os juros acumulados, mas a alegria de ver ressuscitada a vida dos pobres. 
Domingo de Páscoa - Túmulo vazio - corações cheios. O domingo da ressurreição começou na madrugada, com Madalena e as outras mulheres. E terminou noite a dentro, com os discípulos de Emaús e os apóstolos reunidos. Um longo aprendizado, para passar da decepção do túmulo vazio, para a plenitude da alegria com a presença do Senhor Ressuscitado.Todos os pequenos episódios deste dia ensinam a passar das decepções para a esperança, da morte para a vida, do sofrimento para a alegria. O túmulo vazio não era fruto de roubo praticado. Era ausência de morte, era sinal de vida. O vazio de Deus em nossa vida é sinal de sua presença, é espaço para nossa afirmação, é convite para mergulharmos em seu mistério de amor. As interrogações dos discípulos não eram prova do contra senso, eram pistas para a descoberta da verdade. As decepções dos apóstolos não eram confirmação do engano, mas purificação das mentes, para se abrirem aos desígnios divinos, que superam as falsas expectativas humanas.Para experimentar a presença do Senhor não precisavam de muita coisa. "Tendes aí alguma coisa para comer?" (Lc 24,41). Bastam algumas coisas! Não precisamos abarrotar nossas despensas, não precisamos de grandes somas em nossas contas bancárias, não precisamos de grandes investimentos nas bolsas. A frugalidade está mais próxima da alegria e da plenitude. Corações abarrotados de desejos não deixam entrar a luz da vida. O Ressuscitado atravessou paredes e portas fechadas, mas não passa pela barreira da ganância e por cima do acúmulo. Assim, a paixão tinha preparado os corações para a alegria do reencontro, para a paz que vem do Senhor, para o perdão gratuito e total, para o Espírito que era concedido aos discípulos como primícias da vida nova e definitiva que já brilhava no corpo ressuscitado do Senhor. Estavam removidos os obstáculos da morte, estava aberto o caminho da vida verdadeira. Por ele somos convidados a andar, à luz da fé no Ressuscitado!

01 abril 2010

Dinheiro: amor ou traição?


A traição de Judas é capítulo indispensável da paixão de Cristo.Diz o Evangelho que o Mestre estava perturbado diante da iminência da traição. Partilha esses sentimentos com seus discípulos. Pois o contexto era de intimidade, de amizade, de confiança: uma refeição. Tanto mais destoava a traição, pois vinha de um amigo, e usava as aparências da amizade para se perpetrar. Observa o Evangelho que Judas pôde sair tranqüilo da sala, e partir para a traição, aparentando as boas intenções do seu ofício: como encarregado do dinheiro, todos pensavam que ele fosse "comprar o que precisavam para a festa, ou dar alguma coisa para os pobres". Para isto serve o dinheiro: para a festa da vida, e para ajudar os pobres. As pessoas pobres com pouco que têm, multiplicam a alegria da convivência, da acolhida mútua, da descontração, da alegria de viver. Parece o milagre da multiplicação dos pães. Na casa do pobre sempre há lugar para mais um. Quando chega o visitante, é bem acolhido, é convidado à mesa, e ninguém se preocupa se a comida será suficiente.Com um pouco de dinheiro dá para multiplicar o amor. Aí o dinheiro se transforma em vida e em alegria. Ele atinge sua finalidade. O dinheiro que caía na bolsa de Judas deveria servir ao amor. O drama é que o dinheiro está tão perto da traição, quando passa a ser objeto de cobiça. Aí ele perde sentido, e leva para a perdição. Viver a Páscoa é recolocar o dinheiro a serviço da vida e do amor. Dinheiro e poder: os critérios da negociação. Em plena Semana Santa, o Evangelho insiste em mostrar a presença e a ação do dinheiro na história da paixão de Cristo. Mateus nos conta que Judas foi negociar com os sumos sacerdotes. A traição ficou cotada em trinta moedas. Acertaram-se no preço, na quantia de dinheiro. Mas com isto o Justo ficou sacrificado. Fizeram acordo. Entenderam-se a respeito do valor monetário. Mas esqueceram o valor da vida, que não tem preço. E assim o Cristo foi condenado a morrer.Diante desta história do Evangelho, podemos situar melhor o problema dos acordos financeiros. Entre nós se discute tanto, e com razão, os termos dos acordos que regem hoje as relações financeiras no mundo globalizado. Até os pobres falam no FMI. No Brasil foi feito o plebiscito sobre a Dívida Externa, e a primeira pergunta dizia respeito, exatamente, aos "acordos com o FMI". Mesmo sem conhecer os termos exatos destes acordos, o povo intui que eles se revestem de uma perversidade que não pode ser aceita. E’ que os acordos não podem se limitar a reger relações financeiras. Eles precisam estar relacionados com a vida do povo. Caso contrário, correm o risco de serem injustos, e de colocarem em risco a sobrevivência dos pobres.Sem a vinculação ética que a deve reger, a economia perde sentido, e se torna instrumento para condenar à morte a multidão dos excluídos. O dinheiro, por pouco que seja, dá um poder de negociação. Com uma pobre bolsa na mão, Judas se transformou em negociador diante do sistema do poder estabelecido. E foi capaz de provocar uma grande injustiça. Usar corretamente o poder de negociação que nosso dinheiro nos proporciona, é um sério dever ético, para todos, em nosso tempo. Pois está em causa a vida das pessoas, sobretudo dos indefesos. Quinta-feira Santa - Gratuidade além do dinheiro. No clima comovente de despedida, o Evangelho narra hoje o gesto de Cristo, de lavar os pés dos apóstolos. E explica como este gesto nascia de um amor sem limites: "tendo amado os seus, amou-os até o extremo" (Jo 13,1).De novo, o contraponto deste amor é o ódio cego, que já tinha se instalado no coração de Judas. A ganância do dinheiro tinha toldado o horizonte de Judas. O acordo com os sumos sacerdotes o condicionava, e ele se sentia na obrigação de trair o Mestre. "O diabo já tinha seduzido Judas para entregar Jesus" (Jo 13,2). O diabo se instala a partir da lógica do lucro. Pois uma vez instalada, tem a força de uma coerência, tantas vezes afirmada enfaticamente pelos economistas, que teimam em insistir na "verdade única" da inexorabilidade do processo econômico excludente que impõe seus critérios. Não se trata de negar esta coerência intrínseca. Trata-se de mudar de princípio. Trata-se de substituir o "diabo" do lucro pela gratuidade do amor, feito serviço aos irmãos. Como fez Cristo na quinta-feira, em contraste total com o que foi fazer Judas, no mesmo dia e na mesma hora. A lógica do lucro produz insensibilidade humana, e fecha dentro de "direitos" que se respaldam em leis inspiradas para sua defesa. A força do amor leva a ultrapassar os "deveres", e chega a gestos surpreendentes, rompendo os horizontes das formalidades, e estabelecendo uma nova atitude de solidariedade e de comunhão. Os discípulos nunca mais irão esquecer o Mestre que lavou seus pés. E descobrem nele um motivo para a entrega de suas vidas, além das medidas humanas, e muito além da lógica do lucro. Só o amor, transformado em serviço gratuito, rompe os limites do lucro. 
Dom Demétrio Valentini

A Páscoa da Terra Crucificada



A páscoa é uma festa comum a judeus e  a cristãos e encerra uma metáfora da atual situação da Terra, nossa devastada morada comum. Etimologicamente, páscoa significa passagem da escravidão para a liberdade e da morte para a vida. O Planeta como um todo está passando por uma severa páscoa. Estamos dentro de um processo acelerado de perda: de ar, de solos, de água, de florestas, de gelos, de oceanos, de biodiversidade e de sustentabilidade do própro sistema-Terra. Assistimos estarrecidos aos terremotos no Haiti e no Chile, seguidos de tsunams. Como se relaciona tudo isso com a Terra? Quando as perdas vão parar? Ou para onde nos poderão conduzir? Podemos esperar  como na Páscoa que após a sexta-feira santa de paixão e morte, irrompe sempre nova vida e  ressurreição? Precisamos de uma olhar retrospectivo sobre a história da Terra para lançarmos alguma luz sobre a crise atual. Antes de mais nada, cumpre reconhecer que terremotos e devastações são recorrentes na história geológica do Planeta. Existe uma "taxa de extinção de fundo" que ocorre no processo normal da evolução. Espécies existem por milhões e milhões de anos e depois desaparecem. É como um indivíduo que nasce, vive por algum tempo e morre. A extinção é o destino dos indivíduos e das espécies, também da nossa. Mas além deste processo natural, existem as extinções em massa. A Terra, segundo geólogos, teria passado por 15 grandes extinções desta natureza. Duas foram especialmente graves. A primeira ocorrida há 245 milhões de anos por ocasião da ruptura de Pangéia, aquela continente único que se fragmentou e deu origem aos atuais continentes. O evento foi tão devastador que teria dizimado entre 75-95% das espécies de vida então existentes. Por debaixo dos continentes continuam ativas as placas tectônicas, se chocando umas com as outras, se sobrepondo ou se afastando, movimento chamado de deriva continental, responsável pelos terremotos.
 A segunda ocorreu há 65 milhões de anos, causada por alterações climáticas, subida do nivel do mar e arquecimento, eventos provocados por um asteróide de 9,6 km caido na América Central. Provocou incêndios infernais, maremotos, gases venenosos e longo obscurecimento do sol. Os dinossauros que por 133 milhões de anos dominavam, soberanos, sobre a Terra, desapareceram totalmente bem como 50% das espécies vivas. A Terra precisou de dez milhões de anos para se refazer totalmente. Mas permitiu uma radiação de biodiversidade como jamais antes na história. O nosso ancestral que vivia na copa das árvores, se alimentando de flores, tremendo de medo dos dinossauros, pôde descer à terra e fazer seu percurso que culminou no que somos hoje.
Cientistas (Ward, Ehrlich, Lovelock, Myers e outros) sustentam que está em curso um outra grande extinção que se iniciou há uns 2,5 millhões e anos quando extensas geleiras começaram a cobrir parte do Planeta, alterando os climas e os níveis do mar. Ela se acelerou enormemente com o surgimento de um verdadeiro meteoro rasante que é o ser humano através de sua sistemática intervenção no sistema-Terra,  particularmente nos último s séculos. Peter Ward (O fim da evolução, 1977, p.268) refere que esta extinção em massa se nota claramente no Brasil que nos últimos 35 anos está extinguindo definitivamente quatro espécies por dia. E termina advertindo:"um gigantesco desastre ecológico nos aguarda".
O que nos causa crise de sentido é a exitência dos terremotos que destroem tudo e dizimam milhares de pessoas como no Haiti e no Chile. E aqui humildemente temos que aceitar a Terra assim como é, ora mãe generosa, ora madrasta cruel. Ela segue mecanismos cegos de suas forças geológicas. Ela nos ignora, por isso os tsunamis e cataclismos são aterradoras. Mas nos passa informações. Nossa missão de seres inteligentes é descodificá-las para evitar danos ou usá-las em nosso benefício. Os animais captam tais informações e antes de de um tsunami fogem para lugares altos. Talvez nós outrora, sabíamos captá-las e nos defendíamos. Hoje perdemos esta capacidade. Mas para suprir nossa insuficiência, está ai a ciência. Ela pode descodificar as informações que previamente a Terra  nos passa e nos sugerir estratégias de autodefesa e salvamento.
Como somos a própria Terra que tem consciência e inteligência, estamos ainda na fase juvenil, com pouco aprendizado. Estamos ingressando na fase adulta, aprendendo melhor como manejar as energias da Terra e do cosmos. Então a Terra, através de nosso saber, deixará que seus mecanismos sejam destrutivos. Todos vamos ainda crescer, aprender e amadurecer.
A Terra pende da cruz. Temos que tirá-la de lá e ressuscitá-la. Então celebraremos uma páscoa verdadeira, e nos será permitido desejar: feliz Páscoa.
Leonardo Boff. Teólogo, filósofo, escritor, co-redator da Carta da Terra; autor de Nossa ressurreição na morte, Vozes 2007

31 março 2010

 O Fórum Mundial encerrou defendendo cooperação ao invés de concorrência. “Outro mundo não é possível, é necessário”, enfatizou o filósofo Leonardo Boff durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica. A frase é o prólogo da carta de encerramento do encontro, apresentada na sexta-feira, dia 27, em Brasília. O documento busca resumir as contribuições, oferecidas por um público de 15 mil participantes, sobre as discussões acerca da educação e da formação profissional nas mais diversas áreas. O texto defende a união entre os trabalhadores, em oposição à concorrência entre eles. A carta propõe a criação de um novo paradigma mundial, fundamentado não no mercado de trabalho, mas em “laços de cooperação, de interação e de partilha”, de acordo com o texto. Nos cinco dias de debates, pessoas de 16 países trocaram experiências e levantaram propostas para construir uma formação profissional capaz de “trazer o resgate e a superação de direitos negados”, segundo trecho do documento. Marco do fórum, o julgamento da anistia política de Paulo Freire também está no documento. Na quinta-feira, dia 26, o Estado brasileiro pediu desculpas oficiais pela perseguição política feita ao educador. À viúva de Freire, foi dada a maior indenização que a lei permite, de 450 salários mínimos. Um dos pontos altos do encontro, a anistia do educador foi recebida às lágrimas por sua viúva e pelo público de três mil pessoas, que lotou o auditório principal do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A carta também estabelece uma agenda, com compromissos públicos, como o de aumentar o alcance da educação profissional e promover ações que reconheçam na ciência e na tecnologia instrumentos fundamentais para uma melhor educação. O Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica foi realizado, pela primeira vez, em Brasília, de 23 a 27 de novembro. O evento é um desdobramento dos fóruns Social Mundial e Mundial de Educação.
Assessoria de Imprensa do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica
Foto: Dephot

Países da Comunidade da Língua Portuguesa

Sexta-feira, dia 27, delegações membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) fizeram uma apresentação dos seus sistemas de educação profissional e tecnológica durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, em Brasília. O objetivo é trocar experiências e celebrar projetos de integração. O representante da delegação angolana, Antonio Domingues, explicou que o ensino técnico profissional de seu país dá uma formação técnica para jovens que estão em idade laboral ou pós-laboral. Em 2001, ocorreu a reforma educativa do sistema do ensino técnico profissional para formar jovens capazes de enfrentar o mercado de trabalho. Já Egas Brites e Ipólito da Costa, da delegação do Timor Leste, enfatizaram o projeto de fortalecimento das escolas agrícolas desenvolvido com o Brasil. Afirmaram que pela cooperação, professores brasileiros ministraram cursos de agricultura e zootecnia e desenvolveram uma proposta curricular para ser implantada em escolas técnicas agrícolas do Timor Leste. Em Cabo verde, Osvaldo Fortes e Olavo Delgado, explicaram que, como no Brasil, também existe uma preocupação de certificar saberes não formais. Nbalia Gomes e Braima Sanha, de Guine Guiné-Bissau, também falaram do sistema educacional.Marcelo Minghelli, assessor de assuntos institucionais da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, também participou dos debates e abordou a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e a expansão da rede federal.
por Ana Júlia Silva de Souza
 Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
(Charles Chaplin)

Sabemos escutar ou ouvir?

 “Teimoso é aquele que sempre quer ter razão, defende a sua maneira de pensar e de ser mais sem muita lógica. Não aceita as opiniões dos outros. Insiste em impor suas ideias, convencido de que somente ele sabe. As pessoas obsessivas reagem sempre do mesmo modo em relação a si mesmas e em relação aos outros. São incapazes de aceitar novas ideias, de mudar hábitos, chegando a extremos de teimosia. A teimosia pode manifestar-se em pessoas muito simples, que não desejam sair de seu mundo limitado. Fogem, assim, de qualquer esforço físico ou mental, reagindo como tolas para tirar vantagens de situações difíceis; são astutas. Frequentemente, a pessoa teimosa rotula-se e vangloria-se, atribuindo a si própria grande força de vontade e firmeza nas convicções. Não é fácil a convivência com uma pessoa teimosa, pois ela cria sempre muitos problemas à sua volta. O teimoso persiste, insiste em seus erros por orgulho, não admitindo mudanças, não admitindo falhas. Geralmente, é pouco flexível, adepto de ideias fixas e rígidas; é alguém que não sabe evoluir e crescer através do erro. Por mais que suas atitudes se mostrem inadequadas, não costuma modificá-las. A teimosia pode aparecer em pessoas intelectualmente dotadas ou não. São as chamadas “cabeças duras”, com grande dificuldade de adaptação a situações novas e compreensão dos fatos. O teimoso habitual acaba por ser discriminado, encontrando obstáculos em relacionar-se com outras pessoas, pois exige que suas opiniões prevaleçam sempre sobre as dos demais. O primeiro e mais difícil passo para se equacionar o problema é reconhecer o fato de a teimosia existir. E querer realmente mudar. Você pode começar a ficar atento às pequenas coisas que se repetem, a situações constrangedoras que provocam determinadas reações nas pessoas. Considere a possibilidade de que o outro também pode estar certo, respeitando seus pontos de vista com tranquilidade e polidez. Aprenda a colocar suas ideias sem imposição; saiba ouvir, não se sinta agredido por ser contestado e, sim, inclinado a ponderar. Em uma mesma situação há vários enfoques que podem ser considerados sem serem necessariamente divergentes, mas esclarecedores. Discutir não é brigar. Discordar não é agravo quando a discordância tem um sentido positivo de cooperação e esclarecimento.”

30 março 2010

“The Help”, um fenômeno editorial

Lendo sobre lançamentos literários, achei este muito interessante não só pelo tema como pela história da escritora. Falo do livro “The Help”,  todo mundo está falando desse livro Kathryn Stockett. Trata-se do primeiro romance da autora de 40 anos, que narra o sofrimento dos empregados domésticos negros em Jackson, Mississipi, na década de 60. Publicado em fevereiro de 2009, o livro decolou como um míssil, arrastando além de aplausos, alguma polêmica e muito debate. Stockett, que também nasceu em Jackson, conheceu o calvário do mercado editorial, tendo passado por mais de 40 editores até sua obra ser publicada e ter, em menos de um ano, vendido mais de um 1,8 milhão de exemplares. Mas, baseado em grande parte da critica literária americana, “The Help” não é só um fenômeno comercial, mas também um excepcional livro.  “The Help” é baseado em três mulheres com perfis de grande apelo popular, mesmo que o leitor esteja a milhas de distância da questão racial. Abileen, é uma empregada doméstica de origem “afro-american” (AA), inteligente, esperta, cuja vida se resume em cuidar bovinamente de crianças brancas, mas que após perder seu único filho passa a ver horizontes diferentes, principalmente quando ao fundo deles estão seus patrões. Já Minny, melhor amiga de Abileen, é outra doméstica também AA que não poucas vezes bate de frente com seus empregadores. É baixinha, gordinha, impertinente, linguaruda, e vive com a família em constantes privações financeiras. A personagem branca das três é Skeeter. Tem 22 anos e acaba de retornar para casa depois de se formar na Universidade de Mississipi. Com o fogo da juventude a espalhar brasas por todos os lados, ela percebe que sua antiga camareira (Constantine) desapareceu. Longe de aceitar com naturalidade o fato e as distâncias raciais gritantes da década de 60, Skeeter resolve escrever um livro sobre as experiências boas e ruins do trabalho negro (doméstico) para patrões brancos, e mais, convence Abileen e Minny a ajudá-la. Como se vê pura pólvora, já que o Mississipi foi, e ainda é embora bem menos, um caldeirão em constante ebulição quando o assunto são as relações interraciais. Talvez também por isso, por mexer em feridas longe de estar cicatrizadas na sociedade americana, o livro é um sucesso. A utilização do dialeto negro no livro, por exemplo, é uma das trilhas que deixa claro as raízes da autora.

As raízes de Stockett, que é casada e tem dois filhos, não deixam dúvidas sobre a enorme entrega da autora para desenvolver o livro. Graduada em Creative Writing pela Universidade do Alabama, a escritora logo se mudou para Nova York, mas nunca deixou o “oxigênio” do sudeste norte-americano, repleto de etnias e matizes raciais (26% da população do Alabama é composta de afro-americanos). O livro deve ser lançado em língua portuguesa em setembro de 2010, pela editora lusa Saída de Emergência, e também deve ser adaptado para o cinema pelos estúdios Dreamworks. Esperamos que em breve chegue por aqui .


por  Kelly de Souza/cultura.updateordie.com

29 março 2010

O JORNALISMO ESTÁ DE LUTO!

Armando Nogueira - O texto, a bola e a Poesia
                               Foto: Google/imagem
O Jornalismo brasileiro perdeu o eclético, ético, e genial dos jornalistas esportivos brasileiro. O mundo do futebol se despediu na manhã desta segunda-feira, por volta das 7h, do jornalista e cronista esportivo Armando Nogueira, ex-diretor da Central Globo de Jornalismo e comentarista esportivo. Aos 83 anos de idade, ele sofria de câncer e estava bastante debilitado desde 2007, quando descobriu a doença e estava se tratando no Rio de Janeiro.  Foi por volta das 7 horas em seu apartamento na Lagoa, Zona Sul do Rio de Janeiro. O velório ocorre no salão Armando Nogueira, no Estádio Maracanã, e o enterro está marcado para o meio-dia desta terça, dia 30, no cemitério São João Batista, em Botafogo, também na Zona Sul do Rio. O enterro do jornalista será na terça-feira, às 12h, no cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul da capital fluminense.
Biografia:
No ano de 2007 o jornalista Armando Nogueira concedeu entrevista ao blog do bolha, neste bate papo ele falou sobre a paixão pela palavra:
"Existe o respeito pela palavra, embora seja muito penoso mantê-lo; é uma das raras profissões em que você tem a chance de fazer e refazer. Na verdade, a palavra é um ser vivo que fica pulsando na gaveta, te incomodando; você bota na gaveta, no computador, onde quiser, mas, de noite, na cama, fica pensando que tem um ser te aporrinhando, enchendo teu saco. Você não se livra da palavra. Às vezes você é salvo por uma leitura. Você pode estar empacado numa palavra e ter uma insônia e, de repente, acorda com aquela palavra na ponta da língua. Isso já me aconteceu. Eu estava escrevendo um texto um pouco poético, “as bolas murcham no campo como as flores...”. Precisava de um trissílabo e não havia jeito de achar essa palavra, atravessada na garganta. Um dia, lia Machado de Assis, à uma hora da manhã, e uma palavra surgiu como se cintilasse na página; era a palavra campina, que dava certinho na minha métrica. Era a palavra que eu queria. As bolas murcham no campo como as flores na campina. Até então, faltava alguma coisa para completar o verso. E, quando é assim, a cabeça fica funcionando, você fica refém daquela busca. É aí que vem a recompensa: do fato de você ler; porque, se eu não gostasse de ler, talvez essa palavra não cintilasse na página, não ficasse piscando, como vi piscar. Há uma máxima que diz: escrever é reescrever. Escrever é cortar palavras. Mesmo que seja um bilhete para a namorada, não goste, desconfie sempre da primeira versão. Às vezes, falar menos é melhor. É preciso exercer o desapego para com a palavra; ao contrário do que se pensa, isso é uma forma de valorizar e não menosprezar a palavra; de buscar a palavra essencial, a palavra inevitável, a palavra irrecusável. e parece que, sendo esta a premissa do ponto de vista da forma — e considerando sempre que a primeira versão do texto não é boa —, você tem um bom começo, um bom caminho. Então vem o mais complicado da história, que ainda não contei, que é você ter a capacidade de mentir. No meu caso, entro de maneira meio marginal nessa história, porque meus personagens todos são da vida real. Eu escrevo, mas, literariamente, não sou escritor, escritor é quem cria seus personagens.
E sobre o futebol ele disse: " A essência da nossa escola futebolística são as delícias do futebol, um esporte que tem a capacidade de criar espaço no reino da fantasia, não necessariamente à custa de um bate-estaca".(http://jornalplasticobolha.blogspot.com)
Importante ressaltar que para criar o JN ele recoreu aos bancos da Universidade. É uma grande perda para o Jornalismo Brasileiro. Um Gênio que perdemos.
Fonte: O dilúvio, Blog do bolha, Adnews