23 outubro 2010

Carinhoso....

Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, nasceu no dia 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro. Era compositor, flautista, saxofonista e arranjador. Sua canção Carinhoso até os dias de hoje vagueia bela por bares, redutos de sambas e chorinhos, e vai contagiando casal de senhores e par de moçoilos enamorados. Diz-se que, após ter sido vítima de varíola, recebeu o apelido de Bexiguinha, depois Pechinguinha. E, finalmente, Pixinguinha. Compôs também Rosa (1917), outra de suas criações que, a exemplo de Carinhoso, faz pousadas em lugarejos de boemias no Brasil e fora das terras tupiniquins, enchendo de amor os jardins de nossas vidas.

21 outubro 2010

E assim o paraíso...?!!!

O Coração

O coração é a sagrada pira
Onde o mistério do sentir flameja.
A vida da emoção ele a deseja
como a harmonia as cordas de uma lira.

Um anjo meigo e cândido suspira
No coração e o purifica e beija...
E o que ele, o coração, aspira, almeja
É o sonho que de lágrimas delira.

É sempre sonho e também é piedade,
Doçura, compaixão e suavidade
E graça e bem, misericórdia pura.

Uma harmonia que dos anjos desce,
Que como estrela e flor e som floresce
Maravilhando toda criatura!
Cruz e Sousa, in
Poesias Completas


20 outubro 2010

Pensamentos....palavras....

Cuide de seus pensamentos,
porque se tornam palavras,
escolha suas palavras,
porque se tornam ações,
entenda suas ações,
porque se tornam hábitos,
estude seus hábitos,
porque se tornam seu caráter,
desenvolva seu caráter,
porque ele se torna o seu destino.
O segredo é não correr atrás das borboletas...
É cuidar do jardim para que elas venham até você...

Mario Quintana

Campanha: Doação de Órgãos

15 outubro 2010

A imaginação maravilhosa da infância



A sempre lúcida e inspirada Cecília Meirelles, traz-nos alguns de seus pensamentos sobre a infância: É porque nós, desgraçadamente, já andamos esquecidos; mas, quando fomos pequenos, tivemos também essa maravilhosa imaginação com que qualquer criança deslumbra o mais requintado poeta. Nosso mundo foi feito de coisas prodigiosas: os milagres das fadas, os encantos dos bruxos, toda a mágica das histórias mais assombrosas...

Tudo foi sempre muito verossímil, porque tínhamos em nós uma força misteriosa geradora das mais extraordinárias possibilidades. Talvez porque convivíamos mais diretamente com a natureza, e a natureza é por si mesma assombrosa. Depois de ver uma borboleta voar, uma flor desenrolar-se do botão, uma semente transformar-se em planta, um passarinho sair do ovo e mais tarde a cantar; Uma estrela revelar-se, depois de feita a noite, um campo encher-se de pirilampos, as nuvens crescerem, unirem-se, viajarem, desfazerem-se... Depois de tudo isso, com que é que se vai admirar uma criança? 

E éramos tão senhores da vida, com todos os seus cenários e as suas aparências... Acreditávamos tanto na eternidade profunda das coisas, malgrado as suas superficiais e parciais extinções. Que a morte era pra nós qualquer coisa enganosa, que os adultos não tinham ainda encarado bem, que ainda não conheciam de perto e só por isso, com certeza, não sabiam ainda vencer... A infância traz encerradas em si todas as condições superiores do destino humano. Ela mesma não sabe disso, porque a sabedoria tem qualquer coisa de inconsciente. Mas vivem dentro dela todas as capacidades da vida, por mais difíceis, inacreditáveis, longínquas e indefiníveis que sejam. 

E cá estamos nós, mais uma vez, admirados com a grandiosidade desse período de nossas vidas chamado infância. Seria apenas um período? Parece uma descrição pequena demais para abraçá-la honrosamente. Deus nos deu a infância como um grande tesouro, uma lição de pureza poderosa, que não vem de fora, de professores, de sábios, de livros, mas vem de nosso íntimo divino. Jesus foi muito claro ao proclamar - referindo-se às crianças - que destas é o Reino dos Céus, e mais, que quem não receber o Reino de Deus como uma criança, jamais entrará nele. 

O Mestre Nazareno não olvidou que ali, naqueles corpos infantis, existiam Espíritos velhos, mas usou dessa lição para deixar visíveis as características da alma infantil - fundamentais para o crescimento moral humano. Destacava a humildade, a pureza, na forma de ausência de preconceitos; a ânsia de saber, a perseverança, a docilidade, e tantas outras... Que sua porção criança possa sempre sorrir ao ver o nascer do sol. E que quando caia a noite, e venha o medo do escuro, saiba observar as estrelas e sua perfeição incompreensível e bela - e isso lhe traga novamente o sorriso. Que sua porção criança permita enxergar o lado bom das pessoas, e jamais cair nas teias da amargura ou do pessimismo destruidor. Que sua porção criança lhe recorde do quão bom e importante é viver.
 Cecília Meireles

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