Vens breve como a brisa quase sempre à flor do tempo. Ficas-me no entanto indelevelmente à flor da pele... como pétala de Outono num gesto de adeus! Luiza Caetano
01 junho 2010
Essa musica Berimbau foi composta por Baden Powell e Vinicius após o poetinha lhe ter apresentado as lindas maravilhas e magias da Bahia. Foram nessa época feitos os famosos Afro-Sambas. Quando Baden viu uma roda de capoeira ele ficou admirado completamente encantado e procurou saber o que era aquilo,Vinicius tratou de explicar e então ele começou a reproduzir o som do berimbau no violão e compôs essa belíssima musica
31 maio 2010
Cultura: que negócio é esse?
Gabriela Leal Barbosa — 14/09/2007 — A realidade social brasileira.
A desigualdade é uma marca histórica da sociedade brasileira. O Brasil está entre os países com os piores índices de distribuição de renda, onde a parcela de 10% da população mais pobre detém apenas um 1% da renda, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Já os 10% de brasileiros mais ricos abocanham quase a metade da riqueza nacional. São números que pouco ou quase nada se alteram na passagem dos anos.
Neste contexto, só pode ser acertada a posição daqueles que aceitam a contradição como sendo motor da vida social, especialmente, nas sociedades baseadas na economia de mercado, guiadas pela vertigem provocada pela mercadoria, o consumo e o espetáculo.
O resultado das relações estabelecidas de forma desigual entre os que os que produzem e os que se apropriam da produção, traduzido para o terreno da cultura, refletem a exclusão e o abismo existente no acesso à produção e à circulação de bens e serviços culturais entre indivíduos que dispõem formalmente dos mesmos direitos.
A imensa maioria dos brasileiros permanece relegada ao consumo de conteúdos veiculados pelos grandes grupos de televisão e de outras mídias, tidos ainda hoje como os bastiões da cultura nacional, esteios da comunicação, porta-vozes daquilo que se ouve, se vê, se encena e se sonha.
O patrimônio cultual brasileiro é rico e diversificado, materializado no conjunto de técnicas e expressões artísticas, na língua e na linguagem, nos costumes, na memória e no patrimônio histórico. São valores relacionados à vivência social, que operam sentido de forma permanente na realidade das pessoas, em oposição à ação cultural direcionada apenas para o evento, a ostentação e para o entretenimento em contraste com a grande e variada produção, o abismo no acesso à cultura é enorme. Ricos e pobres gastam cerca de 4% de suas respectivas rendas com atividades culturais. Basta este dado para explicitar as diferença entre os dois pólos do estrato social.
E podemos ir além. Mais de 90% dos municípios não possuem salas de cinema, teatro, museus e espaços culturais de uso variado. Apenas 13% dos brasileiros freqüentam cinema pelo menos uma vez por ano, 92% nunca foram a museus e 93,4% de nosso povo jamais apreciou alguma exposição de arte, de acordo com estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada com o objetivo de situar a realidade cultural e subsidiar ações e políticas para esta área.
Em 2009, 1.152 municípios brasileiros não tinham bibliotecas públicas, conforme recente estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que traçou um censo dos equipamentos de leitura de todo o país. O levantamento informa, também, que praticamente a metade das bibliotecas tem computador com acesso à internet, mas que menos de um terço delas oferecem este serviço para a população. O censo apontou que só 12% dos espaços permanecem abertos aos sábados e 1% aos domingos, 24% deles mantêm funcionamento noturno e que mais de 90% não têm condições de acessibilidade para pessoas especiais. Também é baixa a incidência de atividades culturais desenvolvidas nas bibliotecas. Na mecânica da atividade cultural, a quantidade de acesso, produção e consumo de bens, serviços, produtos e manifestações culturais, é a medida do impacto da cultura na qualidade e no modo de vida das pessoas.
Deste modo de enxergar, os programas culturais são derivados do entendimento político, o compromisso e a responsabilidade dos agentes públicos estatais com a promoção e a ampliação do universo simbólico e a capacidade criativa, as manifestações, expressões e a identidade de um povo. A universalização da cultura através da produção e do consumo, a garantia de financiamento e a democratização por meio da participação e o controle social se convertem em fato e resultado se operarem a salvo do vício do aparelhamento e do compadrio político-partidário.
Em seu oposto, presa a práticas de paróquia, a ação cultural não deixará de representar apenas um bom negócio para alguns e fator de exclusão de muitos.
(*) Paulo Bogler é agente cultural, dirigente da Associação Guatá, em Foz do Iguaçu, Pr. Texto publicado originalmente na revista Escrita, edição 12.
30 maio 2010

pois muitas vezes sou apenas o disfarce da tua dor.
26 maio 2010
E a luta continua - Rádios Comunitárias
O coordenador executivo da ABRAÇO Nacional, José Luiz Sóter, enviou documento ao ministro Franklin Martins, titular da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, solicitando o cumprimento de acordo assinado entre a SECOM, a ABRAÇO e Ministério das Comunicações durante a I CONFECOM que beneficiaria as rádios comunitárias com sua inclusão no plano de mídia do Governo Federal. No documento encaminhado ao ministro Franklin Martins, Sóter lembra que a radiodifusão comunitária presta um serviço relevante às comunidades excluídas dos meios convencionais de comunicação, promovendo, segundo ele, o desenvolvimento local e o fortalecimento da identidade cultural, além de “elevar a auto-estima dos cidadãos nas localidades mais remotas do País” e que, por isso, a ABRAÇO Nacional solicita a destinação de parte dos recursos orçamentários da publicidade do Governo Federal para as RadCom.
A ABRAÇO Nacional entende que a destinação de recursos da publicidade federal às RadCom “se faz necessária para garantir o desenvolvimento e o fortalecimento da radiodifusão não estatal, que tem sua abrangência restrita pela baixa potência e tem como principal entrave para a execução do serviço a dificuldade com a sustentabilidade”, diz Sóter.
O coordenador executivo, no documento encaminhado ao ministro Franklin Martins, lembra que não existe nenhuma restrição legal para que parte da verba publicitária do Governo Federal seja destinada às rádios comunitárias, “pois todos os serviços públicos federais têm a sua extensão aos municípios de todo o País, além de fazerem uso cotidiano das emissoras comunitárias para veicularem campanhas que necessitem alcançar pessoas comuns da sociedade. A destinação de recursos viria, tão somente, fazer justiça a esse parceiro da cidadania”, argumenta José Sóter.
Marcos Antero Sóter
Jornalista
Jornalista
25 maio 2010
Com quantas linhas se faz uma vida
Quando eu era menina, era apaixonada pela linha do trem. Punha os ouvidos nos trilhos para ouvir se o café-com-pão, café-com-pão vinha vindo. Quando ele passava, eu ia junto com ele em meus pensamentos.Viajar, viajar, sentir o vento batendo no rosto. Ver o mundo da janela do trem.Quando cresci um pouco, aprendi a bordar com linhas coloridas. Primeiro uma casinha, depois uma flor. E durante muito tempo na minha vida, fiz casinhas, florzinhas, montanhas, plantas e bichos com linhas das mais variadas espessuras e cores.
Muitas vezes espetei o dedo com a agulha e de repente, qualquer linha se tornava vermelha.
Quando cresci mais um pouco, comecei a fazer crochê. Fiz muitos biquinhos; primeiro com linhas de bordar, depois com linhas de crochetar.
E toalhinhas, tapetes e por último, casaquinhos de lã e sapatinhos. Quando entrei no grupo escolar, conheci as linhas do caderno. Elas registravam a tabuada, as caravelas de Colombo,
os nomes dos rios e todos aqueles pensamentos que eu tinha sobre as coisas. Era a parte da qual eu mais gostava: soltar o lápis pelas linhas e viajar com personagens para o país da fantasia.
Nas primeiras linhas do primeiro caderno registrei com letra meio disforme, apertada,
o meu nome e minha primeira frase: a pata nada. Quando fui para o colégio, usei todas as linhas: de bordar, de crochetar, de tricotar, de sonhar, de criar, de inventar. Lá também ouvi que mulher tinha que ter linha. Mas a gente já tinha tantas! Que linha seria essa?!
Depois conheci as linhas de pensamento, as linhas de fé, as linhas de conduta, as linhas de sucessão, as linhas de pescar, as linhas da mão, as linhas de crédito, as linhas cruzadas, as linhas de tiro e tantas outras linhas complexas, complicadas, esdrúxulas, que só não enovelaram minha cabeça, porque ela estava cheia de boas lembranças das linhas de bordar, de crochetar, de tricotar, de sonhar e da linha do trem que trazia a locomotiva e seus vagões, fascínio de uma vida toda, que me levava a viajar pelo mundo, sem sair da linha da imaginação.
Quando cresci mais um pouco, comecei a fazer crochê. Fiz muitos biquinhos; primeiro com linhas de bordar, depois com linhas de crochetar.
E toalhinhas, tapetes e por último, casaquinhos de lã e sapatinhos. Quando entrei no grupo escolar, conheci as linhas do caderno. Elas registravam a tabuada, as caravelas de Colombo,
os nomes dos rios e todos aqueles pensamentos que eu tinha sobre as coisas. Era a parte da qual eu mais gostava: soltar o lápis pelas linhas e viajar com personagens para o país da fantasia.
Nas primeiras linhas do primeiro caderno registrei com letra meio disforme, apertada,
o meu nome e minha primeira frase: a pata nada. Quando fui para o colégio, usei todas as linhas: de bordar, de crochetar, de tricotar, de sonhar, de criar, de inventar. Lá também ouvi que mulher tinha que ter linha. Mas a gente já tinha tantas! Que linha seria essa?!
Depois conheci as linhas de pensamento, as linhas de fé, as linhas de conduta, as linhas de sucessão, as linhas de pescar, as linhas da mão, as linhas de crédito, as linhas cruzadas, as linhas de tiro e tantas outras linhas complexas, complicadas, esdrúxulas, que só não enovelaram minha cabeça, porque ela estava cheia de boas lembranças das linhas de bordar, de crochetar, de tricotar, de sonhar e da linha do trem que trazia a locomotiva e seus vagões, fascínio de uma vida toda, que me levava a viajar pelo mundo, sem sair da linha da imaginação.
(*) Waldete Cestari é fotógrafa em Jaú, SP.
PASSEIO SOCRÁTICO - Frei Betto
Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'. 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento'. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.
Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo..
E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald's...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
'Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'. 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento'. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.
Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo..
E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald's...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
'Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"
Frei Betto: Carlos Alberto Libânio Christo, escritor e assessor de movimentos sociais, é autor de "Típicos Tipos" (A Girafa), prêmio Jabuti 2005, entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).
24 maio 2010
A Flor da Pele
Coninuo a dizer que eu disponho da habilidade de ser sensível, e essa vontade de sentir e ser sentido. Também desejo conhecer tudo, ultrapassar superfícies, mergulhar de cabeça sem precisar por isso ver o mundo de cabeça para baixo. Isso não quer dizer que desejo me perder, mas, não procuro me achar. Sacio o viver, e busco o sentir. Sou muito sensível, e aos meus olhos tudo se torna perceptível. Mesmo não me irritando facilmente eu fico a Flor da pele com pessoas e situações, me alegro facilmente isso não quer dizer que sou... .. sou fácinho. Posso falar sem parar, mas também sei não falar e ficar por horas, olhando para o horizonte da vida. Minha boca conhece mais o sabor do chocolate, do que a sensação do amargo e a necessidade do beijo sem sentimento. Não venha me dizer que o meu dia não vai ser bom, porque eu vou acreditar, que ele vai Ser muito Bom. Não me diga que a vida não é boa, porque eu vou te provar ao contrário. As cenas de filmes me levam às lágrimas, Trechos de algums músicas me devolvem a alegria, pessoas verdadeiras me emocionam, ah, alguns poemas me fazem chorar e sorrir. Nada é um pouco, é sempre muito mais. Quem sente mais, vive mais e consegue mais. Eu ouço sentimentos. Alguns falam muito e dizem frases, eu recito o Amor. Eu lamento. Respiro sim sensibilidade por cada poro, e o meu sangue é daquele raro tipo que pode doar a todos, mas só pode receber dele mesmo. Há quem veja sensibiliade e quem veja exagero, as coisas nunca mudam. Não nego minha alma, não nego minha raça, e muito menos o que eu sinto. E o desafio quem acha que por ser sensível sou fraco. Não sou fraco, SOU MUITO FORTE. E como é bom saber que é essa força que nos diferencia. Eu suporto ver o mundo como eu vejo, você não suportaria.
" Quando eu por aqui passei, na época em que seus ancestrais
tentavam construir esta pátria,
Encontrei índios sendo massacrados,
Portugueses degredados e negros exportados.
Vi sangue, suor e lágrimas de três raças se destruindo,
Mas vi uma nação se construindo.
Vi aquele sentimento que faz de um rincão, uma nação,
Mas vi o sangue do negro ser derramado em vão,
Nas senzalas, mocambos, quilombos, favelas e prisão.
Agora vejo os filhos de Zumbi, afilhados de Tiradentes,
De uma pátria pretendentes serem enganados,
Da terra expoliados, vítimas de ardentes, do poder pretendentes,
Fazendeiros bajulados.
Aí, eu pergunto - Valeu a pena a abolição?
Por que ainda não aboliram esta desumana servidão ?
tentavam construir esta pátria,
Encontrei índios sendo massacrados,
Portugueses degredados e negros exportados.
Vi sangue, suor e lágrimas de três raças se destruindo,
Mas vi uma nação se construindo.
Vi aquele sentimento que faz de um rincão, uma nação,
Mas vi o sangue do negro ser derramado em vão,
Nas senzalas, mocambos, quilombos, favelas e prisão.
Agora vejo os filhos de Zumbi, afilhados de Tiradentes,
De uma pátria pretendentes serem enganados,
Da terra expoliados, vítimas de ardentes, do poder pretendentes,
Fazendeiros bajulados.
Aí, eu pergunto - Valeu a pena a abolição?
Por que ainda não aboliram esta desumana servidão ?
Não será pois desta maneira que teremos um Brasil definitivo
E sim uma convulsão, vez que
Jamais vamos morrer agora,
Pois nosso coração arde de vontade
E exige que a vida voe".
Jamais vamos morrer agora,
Pois nosso coração arde de vontade
E exige que a vida voe".
Banduxe Adinimodó
Esta poesia reflete a história do conjunto de raças que formam o povo brasileiro, um povo discriminado no passado e no presente e se perpetuará no futuro se nada fizermos.
Paulo Paim
Trecho do "Pequeno Príncipe" de Saint Exupery
Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
-Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
......
Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti.
E eu amarei o barulho do vento no trigo...
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